|
|
TVs universitárias
A Televisão Universitária não é apenas o segmento mais novo da televisão brasileira. É também o de mais rápido crescimento. A partir de 1995, quando tomaram impulso as iniciativas nas instituições de ensino superior (IES), de se organizarem para a produção e veiculação regular de conteúdos educativos-culturais por televisão, nada menos que 34 canais surgiram no país, em diversas operadoras de TV a cabo - uma média impressionante de quase três canais por ano. Somando-se a eles as emissoras educativas tradicionais, de sinal aberto, que são controladas por IES, o número de canais em operação sobe para 49. Já são cerca de 100 as IES que têm alguma atividade de produção de vídeo no Brasil e 87 delas utilizam-se de canais universitários.
São números expressivos, sob qualquer critério. Eles revelam que a universidade brasileira, muito rapidamente, vai deixando para trás antigos preconceitos contra a televisão e passa a confiar no potencial dessa mídia para a difusão de informação, cultura, educação e cidadania. A mesma universidade brasileira, que levou quase 20 anos para admitir que a televisão podia ser um objeto sério de pesquisa acadêmica (a TV surgiu no país em 1950 e apenas no final dos anos 1960 apareceram os primeiros estudos sobre ela, no campo da sociologia e da comunicação), agora dá um grande salto em seu processo de compreensão do fenômeno televisual e se põe, ela mesma, a fazer TV.
É um quadro animador, visto em seu conjunto. Mas é também preocupante, se analisado em pormenores, sobretudo nos aspectos da qualidade da programação oferecida ao público, da capacitação técnica do pessoal envolvido, e da acomodação dos novos núcleos de TV no interior dos organismos acadêmicos, com o forte contraste de mentalidade, ritmo de trabalho e necessidades que ela envolve. A Televisão Universitária está crescendo vertiginosamente, sim, e esse crescimento aponta para uma nova era no uso das tecnologias audiovisuais pelas IES. Muitos problemas devem ser resolvidos, entretanto, para que a multiplicação das antenas constitua-se, efetivamente, em florescimento da cultura e da educação nas telas de televisão.
|
|