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O Problema Conceitual: O que é Televisão Universitária?

O primeiro desses problemas é o conceitual. O que é, afinal, Televisão Universitária? Na percepção da maioria, tanto no mundo universitário quanto na mídia brasileira, é uma televisão laboratorial, produzida por estudantes sob a a orientação de professores, visando tão somente a sua capacitação profissional, para o ingresso no mercado de trabalho. Tratar-se-ia, portanto, segundo essa concepção, de uma televisão necessariamente imatura, tecnicamente limitada, cuja ambição não poderia transcender as fronteiras do processo formativo de estudantes de comunicação, devendo ela conformar-se com uma permanente subalternidade, mesmo no contexto da televisão educativa, já percebida como subalterna à TV comercial.

Uma outra visão da Televisão Universitária é aquela que ainda a identifica exclusivamente com o público estudantil, mas que o vê não como produtor de conteúdos e sim como receptor. Uma televisão para estudantes, em suma, com a programação voltada ao seu deleite e informação, sendo indiferente, ou irrelevante, se tal programação é produzida diretamente pelo alunado de comunicação, ou se é feita por profissionais já tarimbados. Nesse modelo estão quase todas as emissoras universitárias estrangeiras, como a CTN-College Television Network e a CSTV-College Sports Television, norte-americanas; a Nexus TV e a Campus Television, inglesas, ou suas similares francesas, escocesas, alemãs e suecas.

Uma terceira visão já admite que a Televisão Universitária pode ser mais do que um meio de expressão dos estudantes, ou de acesso a seu universo de interesses e preocupações. Admite que a Universidade é uma instituição composta por, pelo menos, três segmentos perfeitamente distintos - estudantes, professores e funcionários - e que uma televisão que dela surja, ou a ela se destine, não pode perder de vista que a sua unidade provém exatamente dessa trindade. No entanto, por originar-se da mesma Universidade, o templo do conhecimento, o repositório do saber, a Televisão Universitária tem missão estritamente educativa, devendo se ater aos conteúdos formadores e informativos, sem desperdiçar tempo e recursos com o entretenimento.

A impropriedade dessas três concepções é que todas, na sua medida, são redutoras e empobrecem o significado possível da Televisão Universitária. Por que limitá-la ao universo estudantil? Por que obrigá-la apenas à função laboratorial? Por que entender a sua missão educativa em sentido tão estreito, eliminando toda a dimensão do entretenimento, que, além de ser um dos fundamentos do meio televisivo, é tão presente no universo acadêmico quanto em qualquer outro, e expressa-se num teatro, numa música, num esporte universitários?

No conceito mais abrangente, que adotamos, a Televisão Universitária é aquela produzida no âmbito das IES ou por sua orientação, em qualquer sistema técnico ou em qualquer canal de difusão, independente da natureza de sua propriedade. Uma televisão feita com a participação de estudantes, professores e funcionários; com programação eclética e diversificada, sem restrições ao entretenimento, salvo aquelas impostas pela qualidade estética e a boa ética. Uma televisão voltada para todo o público interessado em cultura, informação e vida universitária, no qual prioritariamente se inclui, é certo, o próprio público acadêmico e aquele que gravita no seu entorno: familiares, fornecedores, vestibulandos, gestores públicos da educação, etc.

Conceituar precisamente a Televisão Universitária não é apenas uma questão de rigor metodológico, valor que já é, em si, muito caro à Universidade. É uma condição essencial para orientar a programação que ela deve perseguir e, em decorrência, a estrutura que deve assumir, a ambição que deve ter, e as articulações que deve buscar com os mercados da comunicação, da educação e da cultura. Não é comum, entretanto, a preocupação com uma definição precisa da Televisão Universitária. Ao contrário, muitas das IES que produzem televisão atualmente fazem-no sem enfrentar o debate conceitual, e têm pouca clareza sobre a natureza e a finalidade do que oferecem ao público.

  
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