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O Problema "Geopolítico": Desequilíbrio Regional e Político-Educacional.

É tarefa de longo prazo, portanto, tal como a superação de um último grande entrave, no desenvolvimento da Televisão Universitária brasileira: o desequilíbrio "geopolítico". Por esse termo, entenda-se o desequilíbrio na distribuição geográfica dos canais universitários existentes e das IES que se lançam na produção de televisão. E também o desequilíbrio entre projetos de TV do setor privado da educação, e aqueles provenientes do setor público. A Televisão Universitária é, hoje, um empreendimento concentrado no sul e no sudeste do país, e hegemonizado por IES privadas, muitas das quais são comunitárias (caso das várias PUCs e das universidades ligadas a igrejas).

Considerando que muitos dos canais universitários da cabodifusão são compartilhados por várias IES, é óbvio que a maioria de instituições privadas nesses canais pode levar a distorções de suas finalidades. IES privadas carecem de matrículas e mensalidades para sobreviver, portanto precisam atrair alunos pagantes. Podem ter a tentação, em consequência, de utilizar os canais universitários como mídia publicitária, produzindo programas que tenham menos a ver com o interesse público em boa informação, cultura e educação, e mais com o interesse particular em seduzir clientes e expandir o seu negócio. 

Até agora, de modo geral, essa distorção tem sido evitada, quer pelo espírito público demonstrado pela maioria das IES privadas, quer pela existência de códigos de ética e de regras estritas de funcionamento nos canais, que procuram esconjurar a tentação publicitária. Mas é imperiosa uma presença mais forte, e mais generalizada, das IES públicas, com a força de seu prestígio e o seu poder de articulação com o Estado, como contrapeso para o equilíbrio de todo o sistema, e a preservação da finalidade pública da Televisão Universitária.

Isso pode ser logrado com o aumento dos investimentos estatais, tanto no plano federal quanto no dos governos estaduais, para a qualificação dos núcleos de TV das IES públicas. Não é tarefa fácil, dada a situação de extrema penúria da universidade pública e o virtual sucateamento de diversas instituições, inclusive algumas de grande prestígio, que já se lançaram, num esforço hercúleo, na produção de Televisão Universitária. Mas o fortalecimento dessas IES é uma exigência da cidadania, e como tal deve ser reivindicada, para o benefício da sociedade brasileira.

  
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