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Todo Potencial tem Limites.
Não por acaso o rádio sempre foi o meio de comunicação mais perseguido e censurado nos períodos de autoritarismo. A direita conhece bem o potencial estratégico e político do rádio e um estudo de sua presença na eleição de amplo contigente de candidatos populares ao longo das diversas eleições ainda está por ser feito. Os setores progressistas não atentaram sequer para o fato que em 1961 uma rede mambembe de rádios, a Rede da Legalidade, a partir de Porto Alegre mobilizou o Brasil e impediu um golpe de Estado que levaria ao poder a facção mais conservadora da política brasileira, quando do episódio da renúncia de Jânio Quadros. O poderoso populismo radiofônico ( e agora também televisivo) assume na atualidade novos contornos - e novamente com amplo sucesso - pelo uso das seitas religiosas e messiânicas que veiculam pelo rádio o comércio da esperança e da felicidade.
Por seu lado o rancoroso jornalismo brasileiro, permeado pelo discurso ideológico, negativista e catastrófico, transformou-se num foco de denuncismo, sensacionalismo e total ausência de perspectivas para o país,, desprezando os setores mais populares que não são considerados um potencial mercadológico e, muito menos, ideológico. Em 1934 Vargas que habilmente percebeu este equívoco criou a Hora do Brasil, transmissão em cadeia nacional obrigatória no horário das 19 às 20 horas e que até hoje permanece no ar. Mas era pouco. A Nacional deveria ocupar 24 horas de transmissão e ser imbatível em audiência em todo território nacional.
Os cofres públicos foram generosos e em breve a emissora era uma das cinco mais potentes do mundo. Sua programação em quatro idiomas levava ao exterior a ideologia do Estado Novo e a imagem de uma potência em formação. Por trás a presença do temido DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e de nosso Goebbels tropical: Lourival Fontes. A Nacional reuniu o maior elenco de talentos, introduziu e consolidou gêneros ainda não tradicionais no rádio.
E esta, além de sua tradição, inventou programas que permaneceram no ar por décadas, tanto na TV como no rádio. Um grande exemplo disso é o Repórter Esso (tendo como seu mais famoso locutor de rádio o repórter Heron Domingues) que depois viria a se tornar programa da TV Tupi (SP) e demais Emissoras Associadas, de 1950 a 1970. Este programa, que com sua popular fanfarra, anunciava a notícia depois do seu conhecido lema:
- "Aqui quem fala é o Repórter Esso, testemunha ocular da história."

Foi de extrema importância a cobertura da 2ª Guerra Mundial feito pelo Repórter Esso, na Rádio Nacional(RJ) e Rádio Record(SP). Desde o relato preciso das batalhas, os avanços das tropas brasileiras até mesmo o anúncio do fim da guerra, onde até mesmo na alegria sempre o locutor permanecia com o mesmo timbre de voz, mantendo um mesmo ritmo ao decorrer do noticiário (este era o "padrão Repórter Esso"), fato que ímãtizava o ouvinte, esperando anciosamente pela próxima notícia, que não se sabia se seria boa ou má, mas que expressamente se passava, aliviando a tensão do ouvinte.
Estes estavam presentes até na hora da formação das rede entre as emissoras de rádio para prestar uma homenagem aos pracinhas brasileiros.
Outros programas famosos que se tornaram programas de TV depois seriam os humorísticos Programa do Nhô Totico, da Rádio São Paulo; PRK-30 e Balança, Mas Não Cai, da Nacional do Rio; além do infantil Club do Papai Noel (com Homero Silva e Sônia Maria Dorse), da Rádio Tupi.
Da Nacional ainda tivemos para TV a adaptação das aventuras da série Jerônimo, o Herói do Sertão. Duas adaptações foram feitas, uma vez pela TV Tupi e outra pelo SBT, quando este ainda utilizava o nome de TVS, na década de 80.
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