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Mario Jorge:
Uma vida de Rádio.
Mario Jorge Montini iniciou carreira, ainda criança,no grupo de teatro da Igreja da Sagrada Família, onde adquiriu conhecimentos artísticos por orientação dos padres Alexandre, Aldo e Ezio Gislimberti. Ainda jovem trabalhou na Matarazzo e Texaco, ambas no Bairro Fundação onde morava com os pais na Rua Heloisa Pamplona. Por influência da mãe, confiante nos dotes artísticos do filho e assídua ouvinte das radionovelas da Rádio São Paulo, procurou a emissora então instalada na capital na distante Avenida Angélica, para participar de um teste para jovens talentos. Após diversas fases de seleção acabou sendo escolhido e imediatamente entrou no estúdio para participar das populares radionovelas.
Já em 1949 seu nome começava a despontar no "cast" da PRA-5. Se o sucesso chegou com rapidez o mesmo não ocorria com o salário. A emissora remunerava por episódio levado ao vivo, nada era gravado e eventuais falhas iam para o ar. Mario Jorge recebia um cachê de 20 cruzeiros por episódio e, por mais que atuasse, a remuneração ficava distante de um bom e seguro salário mensal de 2.500 cruzeiros, como aquele oferecido pela General Motors e que acabou rejeitando pelo amor ao rádio. Para reforçar o orçamento - já que um compromisso matrimonial se aproximava - trabalhou na Rádio São Paulo como "escuta" de outras emissoras para anotar resultados esportivos e também como contra-regra, uma espécie de faz-tudo em matéria de criatividade para completar com efeitos sonoros os melodramáticos diálogos das novelas. Um outro "bico" era a participação em peças de teatro apresentadas em locais como o Circo Piolin, como a inexaurível encenação da "Paixão de Cristo" na Semana Santa.
Em 1953 casou com Ilda Cavana e a solenidade religiosa e posterior festa nos salões do São Caetano E.C., então localizado na Rua Perrela, acabou por mobilizar a cidade pela presença do elenco completo da Rádio São Paulo.
Em 1954, logo após as primeiras transmissões da TV Record, participou do teleteatro "A muralha", que antecipou a chegada da telenovela em capítulos e que surgiria pela primeira vez em 1963 na extinta TV Excelsior. Com a televisão teve uma outra importante aproximação quando passou a dublar as séries filmadas apresentadas na TV Tupi e TV Record a partir de 1957. Nesta atividade permanece em pleno exercício após 40 anos de trabalho.

Em sua residência guarda diversos troféus famosos como o "Roquete Pinto" e o Troféu Cacique da extinta Rádio Cacique de São Caetano do Sul, amealhados em uma carreira séria e competente que aproxima-se dos cinqüenta anos.
Neste período contracenou com nomes do rádio paulista que entraram para a história do rádio: Nelson Martinez, Walter Foster, César Monteclaro, Ennio Rocha, Waldemar Ciglione, Mauricio de Oliveira e as eternas vozes femininas: Arlete Montenegro (nome verdadeiro da atriz Fernanda Montenegro), Yara Lins, Lenita Helena, Ilca Ferreira, Cecília de Alencar, Maria Tereza ( a Teresóca que durante muito tempo morou na Avenida Goiás) e Terezinha Gaglio,aqui de São Caetano, que trabalhou na PRA-5 e casou com o sonoplasta Francisco Magalhães - que na Gincana Kibon de Vicente Leporace (que dava seus tiros nas notícias diárias anunciadas no seu programa "O Trabuco", na Rádio Bandeirantes) era o "maestro Magalhães", responsável pelas "cortinas sonoras" que povoavam o imaginário dos jovens e dos familiares orgulhosos dos dons artísticos dos precoces petizes que se apresentavam aos domingos na TV Record. Após o casamento Terezinha e Magalhães vieram morar em São Caetano, na mesma Rua Heloisa Pamplona da infância e juventude de Mario Jorge.
Textos escritos por Antonio de Andrade, que é Mestre em Comunicação Social e professor nos Cursos de Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Extraído da Fundação Pró Memória de São Caetano do Sul (São Paulo).
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