A Semana de
Arte Moderna.
1922 é ano chave para a compreensão do Brasil de hoje. Em época alguma da história brasileira tantas rupturas ocorreriam , e de tal forma profundas , a moldar uma nova sociedade.
Por estímulo de poucos e a desconfiança de quase todos o gigante adormecido finalmente embarcava na modernidade. Como de esperar as denominadas elites nacionais acompanharam com distanciamento e descrédito os acontecimentos que marcaram o início da agonia da República Velha e que se estenderia até 1930 quando da derrocada e substituição por uma outra elite - igualmente conservadora e insensível - agora moldada no personalismo autoritário de Getúlio Vargas . Observe-se o calendário de acontecimentos de 1922.
Já em fevereiro acontece em São Paulo a Semana de Arte Moderna que segundo Paulo Prado , um dos organizadores da Semana , pretendia assustar essa burguesia que cochila na glória de seus lucros. Burguês e rico fazendeiro do ramo cafeeiro pressentia a fragilidade e as tenebrosas perspectivas da instável e desgastada aliança entre cafeicultores e políticos carcomidos.
Daí alguns ricos burgueses acolherem com simpatia - e dinheiro - aquele bando de intelectuais classe média ansiosos por : luz , ar , ventiladores , aeroplanos , reivindicações obreiras , idealismo, motores, chaminés de fábricas , sangue , velocidade , sonho na Arte, como Menotti del Pichia explicava para a imprensa paulista os objetivos da Semana.
O sisudo jornal O Estado de S.Paulo , que referia-se aos modernistas como futuristas , na edição de 18/02/1922 dá conta do que andou acontecendo no Teatro Municipal de São Paulo:
Na última pagodeira da Semana Futurista foi preciso fechar as galerias para evitar que o palco se enchesse de batatas.
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