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No AR . . .
Definitivamente, não podemos comemorar os 80 anos do rádio sem fazer alusão àqueles que, de uma forma ou de outra, mantém suas ondas no ar. A explicação é simples: Fazer rádio no Brasil, em qualquer elo em que se situe nessa cadeia, é acima de tudo um exercício de amor. Colhe-se, pelo pais afora, incontáveis histórias de pioneirismo e de dedicação. Aqui, em Minas, temos uma infinidade delas, mas, impossibilitados de fazermos jus a cada um dos nossos radiodifusores e radialistas, vamos lembrar algumas trajetórias só para ilustrar.
O diretor-superintendente da Rádio Alvorada, Francisco Bessa, é um que, ao migrar do jornalismo impresso, "provou da cachaça”, como ele mesmo diz, e nunca mais pensou em fazer qualquer coisa que não seja rádio. No setor desde 1976, aportou na Alvorada em 1985, quando implantou o atual formato da emissora - com o slogan "Sempre Qualidade" -, que concilia música e informação. Apesar da crise econômica, que afeta a todos os setores da economia, mas principalmente ao rádio, segundo ele, sequer cogita a possibilidade de fazer o caminho de volta.
Não se pode falar do rádio em Minas sem citar a Itatiaia. Embora não seja uma das emissoras mais antigas do Estado - acaba de fazer ”bodas de ouro" -, é a que mais fez história. Nestes 50 anos, a emissora acompanhou todas as evoluções tecnológicas e, conseqiientemente, ampliou sua cobertura. Segundo o diretor Geral, Emanuel Carneiro, a Itatiaia já está completamente adaptada para iniciar a operação digital. Precoce como a maioria dos radiodifusores, Emanuel Carneiro começou a trabalhar na Itatiaia, com o irmão e fundador Januário Carneiro, como office boy, aos 13 anos. Com orgulho, ele conta que passou por todos os setores da emissora, "aprendendo com os bons profissionais que a Itatiaia sempre teve", e não parou mais.
O diretor Comercial da Rádio Cancela, de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, Saavedra Fontes, começou, de forma inusitada, aos 14 anos. Segundo ele, estava numa fila bancária quando recebeu o convite para trabalhar na Rádio Sociedade de Muriaé, na Zona da Mata. Não muito diferente é a história do diretor-presidente das rádios Difusora Formiguense AM e Sistema FM, de Formiga, Antônio Leão da Silva, que começou como operador de som, foi comunicador, vendedor, até que, em 1945, adquiriu a emissora, pagando-a com o próprio trabalho. Sua emissora também está preparada para receber a digitalização, adianta.
• CRISE - Os radiodifusores não são unânimes apenas no amor pelo veículo; todos afirmam que, hoje, o rádio passa por uma profunda crise. Os motivos vão desde o "desconhecimento da força do rádio até o aumento da concorrência, com o advento da TV por assinatura, internet e mídias externas (out-door, bus-door), por exemplo, sem que haja crescimento da verba publicitária", pondera Francisco Bessa.
Emanuel Carneiro acrescenta que "o problema do rádio teve início no governo Sarney, quando ele distribuiu freqiiências com fins políticos, para pessoas que não pertenciam ao meio, desvirtuando a função do veículo”. Neste governo, o problema foi agravado pela mal elaboração da Lei das Comunitárias, que permitiu a proliferação de rádios ”piratas", enquanto ”as autoridades fizeram vista grossa às irregularides", critica.
A saída, na avaliação de Bessa, é uma maior união da categoria para a exemplo de outros setores, barrar os desmandos a que estão sujeitos, sobretudo na esfera política. Com quem concorda Emanuel, lembrando que se isso tivesse sido feito por ocasião da Lei das Comunitárias, hoje elas não estariam burlando a legislação como vem ocorrendo.
No que se refere à captação de verbas publicitárias, a expectativa é de que o rádio venha a melhorar sua participação no bolo. Há quatro anos, o setor captava apenas 3,7% do investimento total, pulando para 4,9% em 2000 e para 5% em 2001, segundo pesquisas.
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