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Do Código Morse ao Bit.

O telégrafo utiliza o Código Morse, e é basicamente um eletromagneto conectado a uma bateria através de uma chave (o manipulador de Morse, ou o manipulador do telégrafo). Quando a chave é pressionada, a corrente flui da bateria (no final da linha do emitente) e entra no sounder no distante fim da linha. Por si mesmo, o telégrafo pode expressar apenas dois estados: ligado e desligado. Mas, variando o tempo e o espaço os pulsos de liga e desliga, os operadores de telégrafos podem enviar todas as letras do alfabeto, bem como números e marcas de pontuação. O Código Morse define o tempo e o espaçamento de cada caractere em termos de estados "ligados" curtos e longos, chamados de pontos e de traços. Mas o quê o computador tem de semelhante com o telégrafo? Utilizam a eletricidade e um código.

De uma maneira geral existem apenas dois estados: ligado ou desligado. Essa condição binária (ligado ou desligado) vai compor o "código" utilizado pelos computadores.

O computador digital, de uma maneira geral, vai contar "ligados" e "desligados". Para representar estes dois estados, criou-se o bit. A palavra bit vem de binary digits e atribuiu-se valor 1 para ligado e 0 para desligado, onde uma sequência de zeros e uns forma o nosso "código do computador" semelhante aos pontos e traços do Código Morse. O bit é a menor quantidade de informação que pode ser armazenada.

Assim como uma seqüência de pontos ou traços representam um caractere no Código Morse, conforme a seqüência de bits ligados ou desligados vamos obter um caractere ou outro no nosso computador. Essa seqüência de bits que representam um caractere é chamada de byte.

Um byte pode ser composto por uma seqüência de 7 ou 8 bits, e você poderia ser um fabricante de computadores a adotar a sua própria "convenção de código" com, por exemplo, 10 bits para formar o seu byte. É claro que "códigos" diferentes dificultam a comunicação entre os computadores. Por isso, em 1966 a comunidade da informática e das telecomunicações norte-americana criaram o ASCII (American Standart Code for Information Interchange). O ASCII utiliza um código de 7 bits, permitindo representar 128 caracteres diferentes, sendo 96 imprimíveis (as letras de A a Z em maiúsculas e minúsculas, os números de 0 a 9 e os sinais de pontuação) e ainda inclui muitos caracteres de controle que definem funções não imprimíveis, como o retorno do carro de impressão (carriage return), salto de linha (line feed) e retrocesso (backspace). O ASCII utiliza na verdade 6 bits variando suas combinações entre ligado e desligado para formar todos estes caracteres, sendo que o sétimo bit, chamado de bit de paridade, constitui um mecanismo simples de verificação de erro.

O ASCII foi ampla e rápidamente adotado pela comunidade da informática e das telecomunicações em todo o mundo (a IBM foi uma notável exceção), constituindo o primeiro padrão nesta área. Computadores baseados no padrão ASCII poderiam, pelo menos teoricamente, trocar informações.

A IBM, seguindo uma antiga tradição de fazer as coisas de sua própria maneira, não adotou o ASCII. Em vez disso, os engenheiros da IBM desenvolveram o seu próprio código, chamado EBCDIC (Extended Binary Coded Decimal Interchange Code). O EBCDIC é um código de 8 bits, podendo assim definir um total de 256 caracteres diferentes. Esta é a única vantagem sobre o ASCII. Ao contrário do ASCII, os caracteres alfabéticos no EBCDIC não são sequenciais, tornando as operações de indexação mais difíceis. Entretanto, o que utilizamos hoje nos nossos computadores PCs é um ASCII de 8 bits denominado ASCII extendido. 


Portanto, de maneira geral:


1 byte = 8 bits = 1 caractere (letra, número ou símbolo)


Por ser a unidade fundamental de processamento, as medidas são expressas em números de bytes (ao invés de bits). Como em um sistema binário a base é 2, então 210 = 1024. Portanto, um computador com 48K de memória tem na verdade uma capacidade de armazenar 48 x 1024 (ou 49152) bytes. Desta forma:


1024 bytes = 1KB (1 quilo byte) 
1 KB x 1024 = 106 bytes = 1 MB (1 Mega byte) 
1 MB x 1024 = 109 bytes = 1 GB (1 Giga byte) 
1 GB x 1024 = 1012 bytes = 1 TB (1 Tera byte) 

Os primeiros microcomputadores eram baseados em microprocessadores de oito bits, ou seja, processavam oito bits (ou um byte) de informação em uma única operação. Para processar mais do que oito bits, precisam realizar duas ou mais operações separadas. Já os computadores pessoais como os baseados nos microprocessadores Intel 8086, 8088 ou 80286, são PCs de 16 bits. Isto significa que podem trabalhar diretamente com números binários de até 16 casas ou bits (2 bytes), o que traduzindo para números decimais, equivale a 65.536. Se a operação exigir um número superior a esse, o PC precisa, em primeiro lugar, quebrar esses números em componentes menores, realizar a operação em cada componente e então recombinar os resultados em uma única resposta. Os PCs baseados nos microprocessadores Intel 80386 e 80486, são computadores de 32 bits, ou seja, podem manipular números binários com até 32 bits, o equivalente à notação decimal 4.294.967.296. A habilidade de trabalhar com 32 bits por sua vez torna esses PCs muito mais rápidos. Os computadores baseados no microprocessador Pentium da Intel ou no microprocessador Alpha AXP são computadores de 64 bits. Isso é chamado de tamanho da palavra ou a word do computador.

Jornalismo e linguagem na era da produção simbólica. 

É fácil compreender que o Código Morse é um código. Porque, se digito três traços, três pontos, três traços e alguém me pergunta de que se trata, respondo: é um S.O.S. Se me perguntam o que é S.O.S., digo que é um pedido de socorro. Se insistem, querendo saber que tipo de socorro (porque se pede socorro ao colega, se falta o grampeador, e ao restaurante da esquina, se uma visita chega para o jantar), vou à História e digo que são as iniciais de save our souls. Mas, se pedem para mostrar o que significa essa expressão, não terei como fazê-lo, porque nada tenho à mão que seja um sujeito do cais de Liverpool, no convés de um brigue, gritando a Deus que o salve em meio a uma tempestade. 

É difícil entender a língua apenas como código porque, para o usuário, a língua é o que a língua diz. No entanto, são tantas as "introduções à semântica", tantas discussões sobre o que é significado, significação, sentido, representação, referente, conotação, denotação; sobre como o dinamarquês mening, de Hjelmslev, difere do inglês meaning - tanta coisa, enfim, frustrante, que a semântica lembra certas virgens que diziam existir antigamente, muito freqüentadas mas intimamente desconhecidas. 

  
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